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“CHEGO AMANHÃ ÀS 10 HORAS, QUERIDO”, mamãe avisa num áudio do WhatsApp que ouço atrasado. “Deixo as coisas no hotel e ao meio-dia almoçamos. Quero ir àquele restaurante da figueira que sempre te falei.”
Sim, ela me falou do restaurante algumas vezes, aliás um bocado de vezes desde que me mudei para São Paulo. De minha parte, o restaurante da figueira chamou-me mais a atenção quando apareceu num episódio dos Simpsons: aquela árvore reinando no centro do restaurante não só chamou a atenção da minha mãe mas do mundo, parece. Era justo que eu o considerasse um pouco melhor, também.
Apanho mamãe no aeroporto.
— Vôo agradável, mamãe?
— Ah, muito, querido. O céu estava de um azul lindo e sem nuvens. Como dizem, mesmo? Céu de brigadeiro. Nem sei a origem dessa expressão.
Deixamos as bagagens no hotel e descemos ao lobby um pouco. Convidei mamãe para um café, junto com o pãozinho de queijo que estava ótimo, por sinal. Mamãe prefere suco de laranja e pega um pãozinho de queijo, apenas um.
— Pegue mais, o daqui é fantástico. Ou vai se arrepender…
— Gosto de almoçar cedo, querido. Você sabe, não sabe? Não quero perder a fome e estragar o nosso momento.
— Sei, mamãe, sei. E não precisa repetir onde vamos, já reservei mesa lá. Está tudo certo.
O restaurante ficava a poucos minutos da Paulista se fôssemos a pé. Até pensei em pedir um Uber, mas só para descer uns quarteirões em linha reta? De resto, o dia estava agradável e convidativo, e caminhar um pouco, descida ainda por cima, tornava-se um passeio irresistível. Fomos assim, portanto. Ela me dá o braço, e seguimos conversando, pondo os assuntos em dia. Lá pelas tantas, confessa que vem falando “com um coroa, um tipão”.
— Tipão, mamãe? Você não larga essas expressões dos anos 70…
Ela ri; diz ser “um caso perdido”. Justifica-se:
— Não estou morta, né, filho? Sua mãe precisa seguir a vida, também.
— Claro, mamãe. Só não vá se meter com algum aproveitador, hein? Tanta notícia que a gente vê por aí. Eu não agüento ver a senhora sofrer na mão de um picareta qualquer.
— Ah, não fale assim, o Álvaro é um homem muito bom. Viúvo, também.
“Álvaro? Igual à música do Adoniran?” – penso na hora.
— Não sei se gosto do nome…
— Ora, deixe de ser ciumento, Augusto. Não seja implicante, vai!
Entramos. A hostess nos conduz à mesa, uma das melhores, no espaço mais disputado: abaixo da lendária figueira. A madeira do tronco não tem aquela casca típica das árvores. Era lisinha, clara, de um aspecto encerado. Decerto era tratada ou coisa do tipo. Sob o sol do meio-dia, os raios que penetravam a clareira misturavam-se às sombras da folhagem, salpicando a mesa de chispas luminosas. Visão bonita, singela. Felizmente, a moda do selfie parece ter passado, não vejo ninguém obcecado por tirar fotos com o celular ali. Menos mal.
Mamãe olha o menu sem pressa alguma, e a carta encobre seus olhos. Enquanto isso, miro ao redor, distraído. Detenho-me na segunda mesa logo à frente; não sei, por reflexo noto que alguém olha em minha direção. Será? É uma moça. Puxa, que linda! Tem uma expressão vívida, um róseo nas maçãs do rosto, é assim que se diz? Maçãs? Parece radiante; usa uma maquiagem leve e tem as linhas do rosto angulosas mas suaves, um conjunto muito atraente. Usa um penteado da moda, lembro que as meninas comentaram na agência uma vez. Como era mesmo o nome? Butterfly, isso. As cores do cabelo mesclavam cobre e castanho claro. Não tenho certeza, as chispas do sol confundem um pouco.
Sei que é muito charmosa além de muito bonita, é inegável. Chama bastante a atenção. E ela faz umas expressões graciosas, sorri com o olhar, tem certo melindre. Enquanto olho, ela desvia o rosto um pouco. Evita me encontrar. Também desvio, não sou tão cara de pau. Aliás, de que cor são aqueles olhos? Âmbar, esverdeados? Sei que devo ter ficado abobado por algum tempo, não sei. Mamãe puxa meu braço.
— Ei, psiu! Estou falando com você!
— O quê?
— Como o quê, querido? O menu, escolha seu prato. Já sei o que vou pedir.
— Não preciso, mamãe. Peço o mesmo que você. E vamos de vinho branco para acompanhar, como você gosta. Um da casa, mesmo.
Gaguejo um pouco. Ela olha para cá? Parece que sim. Quero muito olhar de volta, mas não posso devolver o olhar agora. Sinto o rosto esquentar, devo estar ruborizado. Abaixo a cabeça olhando o menu para ver se passa, disfarço enquanto o bendito garçom não vem. Mamãe está calada, me estuda. E agora? Eu não quero perder de vista a moça da segunda mesa, mas mamãe me olha fixo, em silêncio, parece me vigiar. Se olho a moça agora, estou frito! Felizmente, o celular dela me salva. Atende: “Álvaro? Sim, já estou no Figueira… sim, sim, tudo caminha bem. Está certo, um beijo.”
“Um beijo”? Como assim? Digo nada, mas parece que a tal conversa com esse Álvaro anda bem avançadinha, não? Mas guardo a conversa pra outra hora.
Ganho tempo para olhar de novo. Ela me olha de volta, direto! Meu Deus… sorri em minha direção enquanto conversa com a amiga, gira o canudo no copo. Toma um coquetel, algo assim.
— Augusto, quem é a moça?
— Moça?! Qual, mamãe?
— Ora, não se faça. Não nasci ontem, querido. Vocês trocam olhares, eu percebi.
Caramba, sabia. Mamãe é uma loba, fareja as coisas muito bem.
— Fazer o quê, né? Não vou mentir, achei a moça interessante. Estou tentando disfarçar mesmo, mas parece que não deu certo…
— Bonita, ela? Deixa eu ver.
— Por favor, disfarça! Não quero vexame!
— O que é isso, você acha que sou dessas? Sei ser discreta, calma!
Droga, estou completamente entregue à situação. O garçom anota nossos pedidos. Logo chega o sommelier e começa uma palestra, fala para se ouvir. Como ganha comissão por garrafa, quer convencer os demais fregueses a pedirem um rótulo, também. Não quero conversa, traz logo o vinho e vá embora! Nem dou assunto e ele sai como veio, impessoal.
— É ela? — mamãe observa, investigativa.
— Sim — respondo, meio preguiçoso. — Acho que está com uma amiga.
— Por que não vai lá? Parece aberta, simpática. Não desaprovo, não, querido. Vá, não tenha vergonha! Sei identificar essas coisas. Peça o número dela.
— Não pedimos mais número, mamãe. É o WhatsApp.
— Que seja, Augusto, que seja! Quer saber? Ela também está no hotel, sabia? Ela passou com a outra moça pelo lobby, hoje.
Mamãe tenta fazer tudo natural, mas não estou nem um pouco à vontade, agora. Age como amiga, mas é estranho envolver a própria mãe em certos assuntos. Ainda mais de cunho afetivo, digamos assim. De repente, mamãe se levanta. Ai, meu Deus, vai até lá? Droga, droga! Fala às duas:
— Oi! Acho que vi vocês no Renaissance, não foi? Estou hospedada lá também.
— Ah, é? Muito prazer…
— Prazer é meu. Estou com meu filho, aquele rapaz, ali. Rapaz, o que é isso… um homem feito, barba e tudo. Mas podemos conversar depois, bater um papinho no hotel? Claro, se vocês não tiverem compromisso…
— Não, seria ótimo! Temos uma reunião às cinco horas, mas depois estamos livres. Se quiser, vamos estar no terraço.
— Rooftop — corrige com afetação a amiga menos bonita, que emenda: — Sim, será será um prazer conhecer vocês. A senhora é muito simpática, sabia?
A essa altura, eu já começava a odiar minha mãe. De vez em quando ela fala pelos cotovelos, tem esses rompantes, essas coragens intrusas. E no fim me compromete. Não sou nenhum menino. Se não fui lá, é porque esperava uma deixa melhor. Imagine, importunar na mesa dos outros! E ela me acena, como se me chamasse. Meu rosto arde em brasas.
À tardezinha, vamos ao terraço, local rebatizado pelo marketing hoteleiro como rooftop. Um ambiente agradável sob o pôr do sol, com todas as colorações desse momento. Mesmo numa cidade como São Paulo, onde a visão é um mar de prédios, o céu ainda se faz belo no crepúsculo. E daqui, do alto desse hotel, a visão parece ainda mais peculiar.
Ambas estavam nas espreguiçadeiras. Usavam um vestido de praia sobre o maiô ou coisa assim. Não sei nomear esses trajes. Embora viessem preparadas para um mergulho, suspeito que isso dificilmente ocorreria. Mulheres costumam temer a aparência que terão ao sair da água, o que pode ser traiçoeiro. Vêm ambas em nossa direção, com certeza por respeito à mamãe.
Por sorte, ela tem esse dom sociável e logo fica à vontade entre as duas, dispensando-as do formalismo da ocasião. Eu fico mais recuado, em óbvia minoria sendo o único homem do grupo. Incrível como, em meio a mulheres à vontade, um homem se sente retraído e mesmo um tanto ridículo, com elas dominando inteiramente a situação.
Não demora e a amiga se afasta com mamãe ou vice-versa, não vi direito. Agora, longe da condição de sombra, estou a sós com – inevitável ser brega aqui – minha musa. Ela tira os óculos escuros em degradê, e de novo sorri com o olhar e o rosto todo. Parece contente em me ver, acho; há um calor no semblante, uma coisa sangüínea, não sei explicar. Não noto nenhum desdém camuflado sob a gentileza, como às vezes fazem as mulheres. Não, ela parece estar toda presente ali. E, preciso dizer, deslumbrante: um perfeito desenho sinuoso em contraste com o colorido do céu. Belo rosto, belo porte, belo corpo… como é bonita…
— Como foi a reunião? – pergunto, para quebrar o gelo.
— Ah, bem, muito bem… vamos ao bar?
Que falta de traquejo a minha. Eu que devia ter feito o convite.
— Claro, por favor! – deixo-a passar.
Ela me conta os detalhes e eu me faço bom ouvinte. Explica que tem uma confecção de moda praia com a amiga e que viera a São Paulo participar de uma feira do segmento.
— Turismo de negócios é a maior vocação dessa cidade…
O que mais eu podia dizer além do óbvio? Entendo patavina de moda praia. Emendo: — Vamos pedir algo pra beber?
Desinibida, ela pede um Summer Passion. Fico admirado com sua desenvoltura, diz “summer passion” ao barman que logo procede aos ingredientes, como quem escuta o pedido de quem sabe o que quer. “E o senhor?”, diz ele, já trabalhando. “Um Mojito”, digo de pronto, afetando confiança.
Há qualquer coisa na cara do barman quando digo Mojito. Não gosto do drinque, é que nenhum nome me vem à cabeça, sei zero de coquetéis. Vi Mojito na tevê a cabo uma vez. Depois, não sou nenhum caminhoneiro americano de filmes para pedir “a beer” sem nem dizer a marca. Só muito depois descobri que mojitos não são uma bebida lá muito máscula. Ou seja, passei um vexame ali.
Quanto a ela, recebe seu drinque colorido, prova, e dá a deixa com o olhar para que eu conduza a valsa da conversa. Típica jogada feminina. Falo de mim, de minha chegada a São Paulo, de meu trabalho na agência de publicidade, dos clientes da casa; só menciono as contas mais importantes: Fiat, Samsung…
— Ah, adoro publicidade. É criativo, não tem rotina! Deve ser um desafio depois do outro, não é?
Ela levanta a bola para eu cortar, claro, decerto gosta de me ouvir. Digo a ela assim e assado, tempero o assunto com detalhes pitorescos. Totalmente voltada para mim, com as pernas cruzadas e uma delas brincando de roçar em mim sem querer, ela agora apóia uma das mãos no queixo, como quem se interessa pela conversa. Ou pela voz: já ouvi falar que mulheres se deixam seduzir mais pela voz do que pelo tema da conversa masculina. Ela me olha quase sem piscar com aqueles olhos enormes e eu desvio meu rosto às vezes, tímido, para retomar em seguida e não parecer inseguro.
Percebo que mamãe e a amiga sem graça sumiram do ambiente.
As luzes do deque se acendem com a noite não totalmente escura. Devagar o céu assume um azul cintilante sob os últimos raios de sol; uma cor de seda, um aspecto diáfano. Vamos a uma das mesas na beira da piscina iluminada. Estamos completamente a sós. Nem lembro mais o que eu dizia — a essa altura, ela só respondia interjeições em concordância, “hum-hum”, coisas assim — e de repente ela projeta seu rosto em direção ao meu. Movimento típico dos filmes, que respondo por reflexo: nos beijamos.
Dias depois, levo mamãe ao aeroporto. No carro, alterno instantes de silêncio com perguntas amenas e evasivas. Estou reticente. Ela nota meu jeito aéreo, meu pensamento distante. Não puxa muita conversa, embora pareça notar que há algo diferente no ar.
Quando o carro chega à avenida dos Bandeirantes, já próximo do aeroporto, mamãe vai direto ao assunto:
— E o namoro, querido? Gosta mais dela agora, conforme se conhecem?
— Ainda é cedo para falar em namoro, mamãe. Estamos só nos conhecendo. Ela vai passar o semestre em São Paulo, vai abrir uma loja aqui. Se tudo der certo, talvez ela mude para cá de vez.
— Sei… namoro, então, ué. Como você diz, minha linguagem é dos anos 70. Não existe um certificado de namoro para ser namorado, querido. Só precisa namorar.
Rio, encabulado. Que frase… não queria entrar em detalhes com mamãe neste particular, não é como conversar com uma amiga; embora ela insista, tente me deixar à vontade.
— Já estamos chegando — digo ao ver uma aeronave pousando à frente, baixinha, conforme descemos a avenida.
— Querido… — mamãe passa a mão em meu rosto — preciso te contar uma coisa.
— Contar? O quê?
— Fui eu. Arranjei tudo.
— Tudo? Tudo o quê?
— É que vi que vocês estão se gostando, então não há problema em contar: Angela é minha quase enteada. Filha do Álvaro. Premeditamos tudo, querido. Calma, deixa eu falar: você tem 32 anos, Augusto, sozinho nessa Babel aqui! Queria que você encontrasse uma moça especial, mas uma que gostasse de você de verdade, pra valer, que se preocupasse com você, cuidasse de você, meu filho.
Emudeço. Não sei, me sobe um negócio, começo a ficar puto por dentro. Quero xingar uns palavrões dentro do carro mas me contenho, nem sei como. Detesto fazer escândalo, fora a coisa do respeito, mãe é mãe, coisa e tal. Mas, puta que pariu, que merda! Detesto, detesto essa mania de intromissão dela, acha que eu sou o quê, um incapaz? Acha que eu não consigo nada por minha conta? Por que tem de se meter na minha vida assim? Ainda faz tudo combinado com esse merda desse Álvaro do Adoniran Barbosa, esse tauba do cacete. Apelidei ele assim na minha cabeça, tauba. De tiro ao álvaro. Na cara, de preferência.
— Você está bravo, eu sei. Pensa horrores de mim agora. Está furioso, com toda a razão. Vou para casa, querido. Saio de cena e te deixo em paz. Você e Angela estão a sós, vocês dois, na mesma cidade. Vocês se gostam, Augusto, podem se ajudar muito aqui. Por favor, meu filho, não faz nenhuma besteira, não desconta tudo nela. Ela não tem culpa de nada.
— Como não tem? Ela não sabia da maracutaia desde o começo? Claro que sabia, aquela… — quase a xingo de um palavrão horrível; não aguento mais segurar os palavrões.
— Mas ela não sabia quem você era, não sabia que ia gostar de você! E ela está apaixonada, ela me disse! Ninguém planeja uma coisa dessas, Augusto! Aconteceu, e é maravilhoso, querido. Vocês ficam lindos juntos!
No aeroporto, despeço-me de mamãe de um modo frio, embora estivesse prestes a explodir de nervoso. Me seguro como posso, bufando. Ainda não tinha pensado em nada em relação a Angela, faria isso depois. De todo modo, achei uma merda que minha despedida de mamãe se desse num clima tão ruim e turvado. Não por culpa minha, fique claro! Mas reclamar agora vai adiantar o quê? A merda estava feita, e eu caí na pegadinha como um otário.
Horas depois, Angela me liga num tom cauteloso, melodramático. Pensa que não conheço mulher nessas horas? Deve estar a par do assunto da manhã, é evidente. Eu só estava mais calmo porque pensei um bocado na volta do aeroporto, não fazia sentido soltar os cachorros em cima de uma menina que conheci faz uma semana. A briga se reportaria a um nível de compromisso que simplesmente não existia. Decidi que por enquanto não ia dizer nada demais, daria só um gelo, me afastaria dela. Depois, pensaria se o relacionamento vale a pena e tomaria uma decisão.
— A gente precisa conversar melhor — ela diz, numa ligação pelo WhatsApp. Seu tom não deixa dúvidas de que mamãe e ela tinham se falado. Sinto um temor em sua voz, como se pega num crime em flagrante.
Emenda:
— Augusto, não quero que pense mal de mim. Não foi dessa maneira que planejei te contar tudo. Você tem todo o direito de estar nervoso, chateado. Não pense que é alguma provocação, mas estou apaixonada por você! Nunca senti nada assim antes, por ninguém!
— Tá, a gente conversa — respondo, ríspido. — Amanhã, lá no Figueira mesmo, às 13 horas. Te espero na entrada.
Dia seguinte, Angela chega com o cabelo preso, sem aquelas madeixas esvoaçantes. Um rabo de cavalo apontado para baixo, um ar comedido. Chega numa expressão diplomática, como quem sabe ter perdido a batalha e veio negociar os termos da rendição. Fora o olhar suplicante, as sobrancelhas compungidas. Qualquer gesto mais brusco de minha parte resultaria em covardia, machismo. Que jogada… mulheres são criaturas muito astutas, mesmo.
Talvez fosse manipulação dela, não sei. O fato é que eu não queria mesmo bancar o nervosinho, dar uma de macho ultrajado. Não sou disso, é ridículo. Certo é que se ela viesse com um ar de desdém pelo que aprontou junto com mamãe, e se não demonstrasse um mínimo arrependimento pelo que aconteceu, eu com muita serenidade a despediria da minha vida para sempre, sem discutir. Mas por alguma razão eu quis ser lógico, pesei os prós e os contras antes desse encontro. No fim, acho que nos entendemos ali, no restaurante, embora sem muita convicção. Na saída, nos despedimos respeitosamente, cada um no seu Uber. Depois, porém, fiquei pensando nela, no seu cheiro, em como queria tê-la abraçado, beijado, agarrado…
Dizem que os casais que dão certo não precisam falar muito para se entenderem. Desde aquela nossa conversa, reatamos. O namoro tem caminhado bem. Decidi esquecer a armaçãozinha toda e sinto qualquer coisa duradoura em nossa relação, embora a expressão duradoura carregue um certo exagero. Sou meio cauteloso com essas coisas.
Estou em home-office, hoje. Angela e a amiga vão inaugurar a loja no Itaim Bibi. Dou uma escapada e vou ao brunch de inauguração. Chego e acho a loja muito bonita, a decoração agradável e convidativa, tudo bem pensado e atraente. Tem tudo para dar certo o negócio. Fico espantado com a desenvoltura de Angela junto às clientes e convidadas. Ela tem mesmo traquejo para a coisa, está no ramo certo.
De volta ao apartamento, relembro nossa breve história, de como tudo começou entre nós. O Figueira, que coisa… o que deu em minha mãe para escolher justo aquele lugar? Seja como for, vamos ao restaurante de novo, à noite, para brindar a inauguração da loja.
Acho que o restaurante virou um lugar de ocasiões especiais para nós, e hoje é uma dessas ocasiões. Angela nem sabe ainda, mas farei algo especial sob a lua cheia. Comprei um anel de brilhante e vou pedi-la em casamento nessa data feliz, tendo outra vez a velha figueira por testemunha.

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(Selo criado por Beth Spencer)