Escute, Catarina

Sabe de uma coisa, Catarina? Foi tudo aparência. Mera fantasia. Veja nossa vida: tão séria, estabelecida, documentada… Ela foi, de verdade, vivida? Falo por mim: sempre fui lógico. Tediosamente lógico. E era pragmático: Tão fácil é ser pragmático antes do castelo desmoronar… […]

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Festas

Eu não gosto de festas. Nas festas, é regra fingir alegria. Há que sorrir, mesmo sem querer. Há a obrigação de ser sociável. Não. Digo “não” a ambientes artificiais. Se for a festas, serei um personagem. Farei tipo, um horror: Sei que […]

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quinze

quem vê meu rosto, hoje, pensa que sou mais velho: é que pensei demais. por muitos anos pus sobre os ombros a obrigação da great performance: o velho dever masculino de ser bem-sucedido. — ao diabo com tanta gravidade! quero poder errar […]

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Centro velho

Detenho-me numa esquina do centro velho. Observo pessoas, fisionomias… Rostos graves. Rostos aflitos. Rostos com fáceis alegrias. Rostos, vários: parte visível de almas Exprimindo coisas que eu não sabia. Penso nos antigos que aqui andaram Quando este lugar não era velho. Quando […]

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A mulher potente

A mulher potente prepara o cabelo, preenche a bolsa põe o sapato, aperta o passo, passa firme fere o piso, num porte convicto A mulher potente, forte e altiva é bem preparada. Ela não projeta a fragilidade ridícula da mulher antiquada de […]

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Como é difícil…

Numa manhã, despertei mesquinho: Queixei-me, então, de vãs mazelas. Mas, afinal, o quê são elas? O sol está lá e sempre estará: Dá o calor, o alimento a crescer. O ar está aqui e está acolá: É desnecessário aparecer. Aqui há roupa, […]

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Como seria?

E, se além de nós nada mais existisse Se não houvesse o natural verdejar A imensidão da água no mar Como seria? Se não houvesse a raiva, o amar Não nos viesse algo a pensar Como seria? Se não houvesse o certo, […]

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Dias de sertão

Comi paçoca batida em pilão Galinhada à lenha do fogão Saudade me deu, foi tempo bom… Cobra coral saltei no mato Bagre e rã peguei no riacho Comi farofa de tatu bola Carne de bode assada, no tacho Estaquei branco ao ver […]

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Centro da cidade

Percorro do centro da cidade as ruas: Que formigueiro de criaturas! Um milhão de cores, de estaturas Sportswears baratos, por todos trajados: Da função primária deslocados, em portes inadequados. Os smartphones, sempre empunhados, Feito uma arma ou talvez companhia: Que estúpidas conversas […]

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Ó tempo, leva-me

Ó tempo, leva-me em tuas asas prateadas Onde além de lembrança, haja abrigo Tempo de prosas desapressadas Mútuas confidências e reais amigos Leva-me até a campina orvalhada Junto a regatos, sussurro e assobios Molharei os pés no frescor de tais águas Saciarei […]

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