Ninguém sabe o que há para Além: sabe-se, porém, que o Além há. Muitas coisas ensinou-me a religião; contudo permanece, intocado, o mistério Isto, a que chamam pecado talvez devêssemos chamá-lo, simplesmente, controle? (seria mais honesto). O Infinito, o todo inimaginável pensaram […]
O varão de outrora: singrava mares, explorava terras, subjugava feras, erguia altares. Nas longas jornadas, saudosas ausências: donzelas amadas a reencontrar. O mundo atual, arqui-desbravado, tecnológico: parafusos e porcas, amontoados. Mil telas luminescentes, nada a observar, faces estranhas a nos ordenar. Códigos […]
com a idade a gente ri menos. * o elogio do vil me ofendeu. * falei a verdade: não soei convincente. * o único a saber nunca foi consultado. * a tristeza desperta o poeta.
Gosto de livro. Gosto de livro, arte visual. Gosto de livro, papel, digital. Gosto de livro até enquanto tal. Gosto de livro, edição, autoria. Gosto de livro, sebo e livraria. Quase estudei biblioteconomia! Gosto de livro: velhinho, seboso. Gosto do cheiro que […]
Leva-me, ó ninfa, em afável mistério Que no rubro enlaçar de teus cabelos Envolvo-me em teus cachos, tão vermelhos Num doce voar, qual pássaro ou ébrio Revela-me a alma, quem sou e não sabia: Segredos sublimes, a mim mesmo ocultados Mergulhe na […]
Descansa, meu filho, agora descansa: Despido esteja de amargos temores Respira e resguarda tua esperança Que os vis espinhos protegem as flores Refaz já teu brio, galopa a vingança Ergue tua fibra, vêm dias melhores Um passo apenas, contempla a bonança: Vão-se […]
O inferno de Niemeyer não arde. O inferno de Niemeyer é prédio: de vidro e aço concreto armado feiura e tédio.
Num muro da cidade, a inscrição profundamente prosaica, diz: “mais amor, por favor”. Assim reclama o neo-chavão. Medito e penso: errado pedido. Sai, desde a base, deslocado: pois pede-se um amor medido, um pseudo-amor, quantificado. Querem amor em porções, vendido em doses, […]
Todo dia, na rua do bairro fabril e decadente o violeiro senta-se com sua viola. Entre um acorde e outro, o caipira desraizado levanta a aba do chapéu, cumprimentando transeuntes e carros que o ignoram, apressados. Ele, com intransponível disposição mantêm serenos […]
A Criação: o belo, o simples, a perfeição. Lugar da harmonia do equilíbrio sutil e do estritamente necessário. Eis, num dado momento o Homem dotado de vontade própria errante inventa a urbe e opõe-se à Criação: Neste exato ponto da História começa […]