Os últimos itens da mudança chegaram de São Paulo. Agora que a reforma do apartamento litorâneo estava concluída, Suzana podia abrir as caixas recebidas, examinar o material e apresentar cada item a Francisco, explicar um e outro, e os dois agora se entretinham com todo aquele material: livros, discos, CDs e DVDs. Suzana nem imaginava que tivesse acumulado tamanho acervo, e de respeito, cuidadosamente escolhido. Muito daquele material entrou para a galeria de itens raros no mercado, pois já não se achava disponível para venda em canto algum.
Pareciam dois adolescentes a se divertir. “Passei anos investindo nisso aqui”, diz a Francisco, que não a escuta direito: admira-se com o prisma iridescente dos CDs, “coisa mais linda”, disse. Para escutar, no entanto, não abria mão do velho LP. Suzana estava à vontade em meio ao que mais gostava: catalogava, examinava e separava cada item. Contente, propôs uma atividade naquele final de semana: enquanto arrumavam a coleção nas estantes, mostraria tudo que o noivo perdeu durante o sono profundo, em ordem cronológica, como numa linha do tempo.
Suzana sentia-se feliz por finalmente ter alguém com quem partilhar seus gostos e conversar a respeito daquilo que tanto apreciava. Jamais o conseguira antes com ninguém, e sentia-se especialmente tocada por partilhar seu afeto cultural, de modo que uma ternura a envolvia e intensificava o amor que tinha por Francisco. O momento não podia ser mais adequado: em questão de semanas, ambos subiriam ao altar para o matrimônio. Suzana transbordava de contentamento. Mirava o noivo a virar capas de livros, ler sinopses, tirar encartes de discos; gostava de observar seu interesse, algo que lhe dava mais confiança e sensação de completude.
À tardezinha, Suzana separou alguns filmes para organizar uma pequena mostra de cinema, “sem hora para acabar”, disse: há tempos ela desejava fazer aquilo com o noivo e jamais conseguira. O clima era propício: lá fora chovia e ventava; o aspecto diáfano do horizonte convidava mesmo ao recolhimento e ao aconchego. Ela providenciou de antemão algumas guloseimas, uns quitutes; deixou que Francisco escolhesse a ordem da exibição. Alguns filmes ainda estavam no plástico, lacrados, e ela os abria pela primeira vez.
Depois, partiram para os filmes. Ele se divertia feito criança ao pegar as capas. De alguns, comentava com entusiasmo e empolgação juvenil. Aquela alegria espontânea contagiava Suzana, encantava-a. Deram boas risadas. Enquanto isso, anoitecia. Dentro do apartamento, uma atmosfera os envolvia e ambos se abandonavam, se deixavam levar. Lá pelas tantas, as luzes da tela que se alternavam a cada take preenchem a sala escura com cores suaves e bruxuleantes. À meia-noite, a cidade silencia. Só se ouve a chuva incessante lá fora. O casal esquece a hora. O filme transcorre sem espectadores e a tela fala a ninguém. Instantes depois, ambos pegam num sono profundo, satisfeitos e plenos.
O dia seguinte amanhece ensolarado. Suzana acorda primeiro e prepara o café. Francisco se aproxima da copa instantes depois, sonolento e preguiçoso. A noiva, disposta como há tempos não se via, pergunta os filmes e discos preferidos da noite anterior. Ele boceja e coça um pouco o cocuruto, como se puxasse pela memória. Gostou muito de Um Estranho no Ninho, com Jack Nicholson. Se emocionou com Em Algum Lugar do Passado, mais pela trilha sonora de John Barry e o Paganini, de Rachmaninoff. Suzana não acreditou que o noivo não tivesse gostado de Blade Runner e o último dos filmes da amostra, o mal assistido 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Kubrick. Suzana tinha certeza que a ficção científica o agradaria, mas não: no fundo, o noivo era um tantinho mais cafona do que ela podia supor. Cafona não é bem a palavra — ela corrige o pensamento —; Francisco era um tipo romântico, algo além da conta; romantismo que às vezes coincide com a cafonice à primeira vista, mas por acidente.
Preferências discordantes à parte, o fato é que Francisco agora não era mais um outro, o noivo à parte de Suzana; não era mais apenas a companhia a seu lado, mas tornou-se algo de si. Como explicar? Sentimento misterioso, este; uma espécie de presença espiritual, incorporada, inerente.
* * *
Francisco ainda manteria muitos contatos com Fábio de Almeida desde aquela primeira conversa, há coisa de mês e meio; o encontro virou rotina. A própria Suzana não interferia e punha-se à parte, tentando acostumar-se; embora fizesse questão de ouvir as conversas no viva-voz: combinou isso com o noivo, que cedeu sem resistência.
O Renovação, nome do partido idealizado por Fábio, estava prestes a ser homologado pela Justiça Eleitoral. O vice-prefeito convidou a Francisco para ser o presidente de honra do partido, um cargo simbólico sem atribuições burocráticas, mas este declinou do convite: respondeu cortesmente que acompanharia as atividades por alto, daria as consultorias solicitadas e escreveria análises conjunturais, mas que fazia questão de colocar-se à distância, como observador privilegiado. Fábio não se opôs nem o instou a nada diferente; não o forçava, pois queria conquistar-lhe a simpatia, a confiança, e, além disso, imaginava como o casamento dali a dias devia consumir as atenções do já companheiro de partido.
Por sua vez, Francisco conciliava o casamento próximo com uma sonhada atividade pública — não no sentido estrito da palavra — pela qual traçava planos em segredo; nada dizia à noiva neste particular, por motivos óbvios. Quanto ao matrimônio, estava tudo devidamente contratado e acertado, restando apenas detalhes de última hora: impressionante como as mulheres revelam uma habilidade ímpar nestes assuntos. Suzana até já escolhera o vestido e restava apenas tirar as medidas na semana da véspera para um caimento perfeito. Por enquanto, ela seguia uma dieta para chegar ao porte desejado no grande momento da vida. Conforme a tradição, não deixou que Francisco a visse vestida de noiva, nem lhe pediu qualquer opinião a respeito do modelo escolhido: certas superstições não se vão nem nas pessoas mais esclarecidas, ele pensou; achou engraçado que aquelas crendices existissem nos dias atuais e reagiu com bom-humor.
Casariam-se na Igreja do Carmo, onde tudo começou entre os dois. Não só por isso; era também uma igreja do período barroco, histórica, cenário perfeito para selar uma união que se queria duradoura. A igreja simbolizava a pretendida perenidade da relação. Suzana e Francisco seguiram o script e fizeram o curso para noivos da paróquia. Amigo do casal, o padre acompanhou tudo que sucedera recentemente e manifestou sua alegria por ver que a união de ambos tinha resistido. Disse admirar aquele zelo em querer aprender a vida em comum da maneira cristã. Por sinal, o curso foi ministrado somente aos dois naquele mês, não por alguma exclusividade ou privilégio, mas simplesmente por falta de inscritos. Há muito não aparecia qualquer casal interessado no curso.
“Faz tempo que não celebro um matrimônio, meus filhos”, disse o padre; “nessa paróquia mesma nunca celebrei um simples casamentinho. Espero não ter esquecido como se faz”, disse, bem-humorado.
Os dois riram, discretos. O padre continuou: “casar-se como Deus manda virou um evento tão raro que parece algo exótico nesses tempos. Parece antiquado como as cartolas e bengalas”.
O padre confidenciou uma esperança talvez ingênua de que a união daquele casal — que há poucos meses ocupava as páginas dos jornais, mas por motivo mais baixo, qual seja, a política — inspirasse outros a unirem-se diante do altar e não perante um juiz de paz cartorial, apenas. Mesmo porque o sacerdote estava inteirado da atuação pública de Francisco, e o vinha aconselhando espiritualmente; disse ter escutado o nome dele na boca dos jovens da paróquia; disse que Francisco inspirava a viver o cristianismo no cotidiano, que aliás é o modo apropriado de ser cristão e católico, afirmou.
* * *
Suzana aproveitou a vinda à capital para entregar pessoalmente o convite de casamento a Lilian. Foi de surpresa ao condomínio onde ela morava e avisou ao porteiro que a moradora já a esperava. Não era verdade; porém, disse aquilo apenas para o caso de o porteiro estar avisado para não receber ninguém. De certo modo, Suzana sentira algo no ar, afinal, ela mesma fez isso quando terminou com o advogado canastrão do passado.
Entretanto, Lilian a recebeu, sem reservas. Para sua surpresa, Suzana encontrou-a bem-humorada, não de um modo expansivo mas afável, embora não caloroso. Persistia certa barreira no ar, perceptível nas falas estudadas e sem intimidade. Lilian dava alguma impressão de estar cansada de resistências e oposições, de desgastes; parecia ter uma ferida recém-cicatrizada e sensível, que ela protegia e cuidava para não reabrir. De resto, desaparece a rispidez amarga, o olhar inflamado e o tom acusatório desde o luto do pai, mas ainda havia uma frieza defensiva e algum laconismo que não fazia bem seu gênero. As duas conversaram com cortesia sem a espontaneidade de outrora.
Umas mechas brancas despontavam aqui e ali em Lilian, entre uma madeixa e outra. Suzana perguntou se ela cultivaria os cabelos grisalhos, moda entre as mulheres de meia-idade:
— Não, detesto essa moda. É que não tive tempo de pintar o cabelo, mesmo. Depois, não quero parecer a bruxa do quarteirão.
Ambas riram.
Lilian aceitou o convite de casamento, pelo que agradeceu. Evitou falar muito de Francisco além de um tímido “ele está bem?”. Perguntou como andava o relacionamento e a rotina no litoral; mencionou dias felizes que tivera por lá na infância e adolescência, quando os pais eram vivos, e deu dicas de lugares agradáveis para se frequentar por ali. Por fim, perguntou sobre os preparativos do casamento, se podia ajudar em algo. Parecia a antiga Lilian de volta.
Contou que pensava em vender o casarão do Pacaembu. Havia interessados. Não pelo dinheiro, disse, mas porque não conseguia mais entrar ali e não lembrar de tudo que vivera, sobretudo nos últimos tempos. Não bastasse a morte da mãe há uma década, era impossível não lembrar do pai quando retornava para lá. Mas quanto à venda, não tinha pressa; o mercado imobiliário andava em queda, e ela não passaria o imóvel muito abaixo do valor de mercado. Esperaria uma retomada da economia, de modo que decidiu deixar a casa fechada e esperar os ventos melhorarem.
— E a Tereza, ainda trabalha com você? — Suzana pergunta.
— Ficou aqui no apartamento por um tempinho, mas foi embora para a terra dela. Foi se aposentar por lá. Meu pai deixou um bom dinheirinho, e ela voltou pra Alagoas. Disse que iria achar um véio por lá — disse Lilian, rindo.
O bate-papo seguiu amistoso e agradável, e Lilian finalmente se descontraiu um pouco. Foi a deixa para Suzana tocar num assunto do qual precisava falar naquela visita.
— Lilian, não vim aqui só para te entregar o convite, sabe? — disse Suzana, com muito tato — sou bem franca, sabe, não gosto de deixar pontas soltas por aí. Sei que não tenho o direito de pedir uma coisa dessas, mas gostaria muito que você não nutrisse mais mágoas por causa do Francisco. A gente se conversa muito. Aquela fama repentina nas redes sociais, aquilo o deixou deslumbrado, sempre achei isso. Eu sempre fui contra. Depois veio a mídia, as palestras, aquilo tudo. Mas ele não é uma pessoa ruim. É humano e falho como eu e você, como qualquer um. Por mais irritada que eu estivesse com tudo que aconteceu, tentei me colocar no lugar dele um pouco. Pensa bem no que significa retornar num tempo totalmente diferente, com pessoas diferentes, costumes diferentes. Difícil manter a cabeça numa realidade totalmente mudada, não dá nem pra imaginar como agir numa situação dessas. Mas posso te garantir que ele mudou bastante. Ele precisa muito que você o perdoe, porque ele jamais quis prejudicar o irmão que ele tanto amava e considerava.
Lilian apenas escuta. Sente uma pontinha de raiva quando ouve o nome do pai, uma fisgada, como se lhe puxassem uma franja, como se aquela cicatriz que ela protegia fosse agora cutucada. Quis cortar a conversa, mas conteve-se. Suspirava discreta e ouvia a fala de Suzana, deixava-a falar. Ela por sua vez prossegue, como se precisasse pôr tudo pra fora naquela oportunidade:
— Ele anda mais reservado, mais maduro, também. Conseguiu um emprego lá na cidade e vive do salário, que é modesto mas dá para as despesas. Ultimamente largou aquelas bobagens de rede social — Suzana prefere não mencionar as recentes conversas com o vice-prefeito, pois tudo ainda era muito incipiente. — Tudo que a gente quer agora é se casar, ter nossos filhos, construir uma família. Te garanto uma coisa: se ele pudesse mudar tudo que fez de errado, se pudesse evitar o falecimento do Claudionor, que também era um amigo e um pai pra mim, ele faria isso. Pode ter certeza, Lilian.
Cabisbaixa, a amiga meneia a cabeça em ligeira negação, não ergue o olhar. Suzana retoma:
— Olha, ele sente muita falta do seu pai. De vez em quando pego ele distante, pelos cantos, pensando longe. Ele não fala, mas eu sei. Você sabe como homem é, não fala o que sente. Quando vejo ele sentado em silêncio, olhando para o nada ou para o horizonte, sei no que ele está pensando. Uma vez perguntei e ele confirmou. Mas olha, não vou te aborrecer, não. Pensa com carinho em tudo que eu falei, tá bom? Não vim aqui trazer um recado dele, não. Na verdade, ele nem me pediu nada do tipo. Faço esse pedido por minha conta, e acho até que ele vai brigar comigo quando eu disser que conversei contigo a respeito.
Lilian não conseguia negar que o apelo de Suzana era sincero. Sente-se na obrigação um tanto constrangedora de responder algo e tenta não se mostrar tão irredutível:
— Não tenho nada contra o Chico, Suzana — disse, com olhos marejados; respira fundo para driblar uma emoção súbita — mas tive raiva dele, sim, muita raiva. Ainda tenho, não vou esconder. Vi como meu pai se preocupava com ele, tratava como um filho, perdia o sono por ele. Achei que Francisco fez pouco caso da dedicação e do empenho do meu pai. Mas, tá, entendo o que você diz. Talvez um dia eu lide melhor com tudo isso, mas não sei, não sei mesmo. Pensei tantas coisas de lá pra cá… talvez a hora do meu pai tivesse mesmo chegado, não sei.
Lilian faz uma pausa. Suspira e olha para o lado. Súbito, levanta-se do sofá e põe termo à visita:
— Desejo toda felicidade a vocês dois. Vocês formam um belo casal, sempre disse isso. Vocês se combinam. Sou um pouco culpada disso, lembra? — sorri, recompondo-se. — Acho que você ficará linda vestida de noiva, uma princesa mesmo. Você é muito bonita, Suzi. Acho que o Chico ganhou na loteria por ter conhecido você. Só não carregue muito na maquiagem no dia do casamento. Você tem uma beleza muito natural.
— Obrigada, Lilian. Muito obrigada por tudo. Te considero uma amiga, de verdade.
E abraçaram-se.
* * *
Chega o dia tão esperado. Faz uma temperatura amena naquela tardinha. Os ipês florescem intensos nas copas e outras flores caem, forrando o chão do entorno de um amarelo vivo. Pouco antes de escurecer, o céu passa de um celeste ameno ao lilás e ao coral, entre camadas de nuvenzinhas em listras delgadas, como uma pintura. O céu dava tal espetáculo de presente a Francisco Militão Maia e sua já esposa perante os homens, Suzana Sanfelice Maia.
A escadaria da Igreja do Carmo foi decorada com tecido carmim e laços dourados, abaixo dos corrimões de pedra sabão, indicando o caminho aos convidados. Na nave do templo, arranjos de rosas brancas e champanhe alternavam-se, junto à fileira de bancos; abaixo, um tapete vermelho com laterais em dourado conduzia os noivos ao altar. Suzana e Francisco optaram por uma decoração tradicional embora sóbria, sem muita pompa.
Os convidados preenchem metade da igreja. A maioria vinha da parte da noiva, como de costume. Dezenas de parentes e conhecidos vieram do interior paulista especialmente para o evento. Ansioso, Francisco continha a natural apreensão, o medo de algo não sair como esperado na última hora. Olhava a um e outro convidado e acenava discreto, com a expressão tensa da expectativa. Percebe a testa a suar e enxuga-se com um lenço. Sente-se abafado no fraque. Como padrinhos, escolheu uns amigos do escritório na Faria Lima, além do vice-prefeito e a esposa.
Às 18 horas em ponto, uma orquestra de câmara à frente do altar toca o prelúdio para violoncelo de Bach, enquanto noivo, padrinhos, damas e pajens entram pela porta principal e se posicionam. Francisco percorre o tapete sozinho. Todos posicionados, segue-se uma breve pausa; depois, a porta se abre e uma dupla de clarins entoa a marcha nupcial. Os convidados levantam-se e olham em direção à porta principal. As mulheres tomam a frente nos corredores, espremem-se e disputam espaço nas fileiras para conferir a noiva a surgir.
Suzana vem conduzida pelo pai. Usa um vestido em estilo greco-romano, à medieval, sem rendas nem mangas bufantes, de um ar clássico. De cabelo preso por uma volta de tranças, parecia encantadora e natural sob o curto véu. Seu rosto resplandecia um enlevo angelical. Ela arfa ligeiramente, melindrosa; mas sua emoção notava-se mais nas sobrancelhas levemente compungidas, a conter-se para não borrar a maquiagem suave, tal como Lilian recomendara. Vivia um instante de apogeu, sonho de toda mulher ao fim e ao cabo.
O mesmo não se pode dizer do noivo Francisco. Ao recebê-la das mãos do sogro, explode uma emoção contida. Chora, leva a mão aos olhos, como se extravasasse um sentimento represado há muito. Os convidados entreolham-se, comentam, fazem burburinho; o padre aguarda o fim das reações para iniciar a palavra. Suzana passa o dorso da mão direita no rosto do noivo, com luva mesmo, e ele se recompõe para enfim escutar o sermão matrimonial.
Francisco ergue o queixo e infla o peito, empertiga-se. Presta atenção, solene. A cerimônia transcorre bem, tudo nos conformes. Bem-humorado, ao final o pároco tenta descontrair, fala aos convidados que conhece o casal pessoalmente e torce para que a união inspire outros casais a fazerem o mesmo: “Gosto de celebrar matrimônios, meus filhos”, diz; “tragam outros casais a este altar”. Suzana sorri com simpatia e olha meiga a Francisco, que é todo seriedade.
Alianças trocadas, ambos são declarados marido e mulher. Beijo para a fotografia, depois os cumprimentos dos padrinhos e assinaturas na ata matrimonial. No trajeto de volta, de braços dados ao marido, é a vez de Suzana desatar o choro. Mas chora pouco, lacrimeja entre sorrisos, enquanto as pétalas vermelhas e brancas chovem por sobre o casal. No fim do corredor, quase à porta de saída, Lilian se aproxima e cumprimenta os recém-casados. Abraça a Francisco fraternalmente, a Suzana calorosa e demoradamente, e faz votos ao novo casal.
O trecho acima, sem edição nem revisão final, está no capítulo 19 da segunda parte do meu romance Francisco Maia, a ser lançado no segundo semestre de 2026 pela Editora Danúbio.